Por Que Alguém Vai ao Cinema Ver o Thor? ou; Dos Efeitos da Marvel no Mundo

Fui ver o Thor no cinema, pois, em menino, o idolatrava, nos quadrinhos, e sonhava dia e noite em vê-lo bem representado em movimento, não igual àquele filme tosco, nem naquele desenho desanimado. Agora que o sonho se realizou, não tenho alternativa senão ir ao cinema a cada estreia, não só do Thor, mas de cada filme de herói. É patológico.

 

O Pensador Nerd_Mondo Vazio_Por que alguém vai no cinema ver o Thor_A volta do Incrével Hulk_Thor vs Hulk

Aquele dia que aguardei com impaciência pelo embate entre o deus e o gigante em “A Volta do Incrível Hulk“, na TVS. O trauma foi tamanho que agora sinto a obrigação de ir ver tudo na estreia. Freud explica. Sempre explica.

Mas esse sou eu. Quando no cinema, às vezes, me pego pensando nos outros, no que leva a fulana ou o beltrano irem ver super herói. Dessa vez, a menina da frente, por exemplo, com ar inequívoco de nouvelle marvette (que explicava à “miga” mais nouvelle ainda, que o Thor era do bem e Loki, do mal), parecia ter apreço sobretudo pelo ator, a quem achava lindo, e soltou gritinhos quando Stan Lee lhe cortou os cabelos. O de trás também, soltou gritinhos, não pelos cabelos mas pelo Stan, e parecia estar interessado no vindouro Guerra Infinita, por conta dos constantes comentários à namorada sobre o cânone da Marvel, tudo enquanto atacava incessantemente as pipocas. Mas nem reclamo dessas coisas pois assim caminha a humanidade.

Eis que às tantas inaugurou-se um novo pensamento: “ por que sempre saio de uma produção da MCU com a sensação de ter assistido um filme legal, mas que já vi anteriormente, que nunca supre o que promete, em termos de enredo, sempre sugerindo que a verdadeira história está nalgum futuro próximo, nalgum outro lugar do universo distante “ ? Por quê? Ora, eu lhes digo o por quê. Porque os filmes da Marvel são vazios. Por isso.

Tirando o Guardiões 2*.

O Pensador Nerd_Mondo Vazio_Por que alguém vai no cinema ver o Thor_Odin x Grandmaster

OBA! Um filme sobre estruturas sociais fundamentadas nas mentiras fabricadas pelas classes dominantes. Não…péra…

Alguém dirá nos comentários do Face que “ eh soh um filme! Soh diverssão!” Ao qual eu responderia que Thor: Ragnarok é parte da maior franquia cinematográfica da história. E como sociedades são erguidas sobre mitos, é lícito questionar que tipo de legado os filmes da Marvel deixarão às novas gerações. Mas falarei mais sobre isso mais adiante. Agora, o que eu quero dizer, é que a DC se esforça bem mais em tentar inserir conteúdo relevante em seus filmes. Verdade que os filmes são uma bagunça (tirando a Mulher Maravilha), mas pelo menos são uma bagunça ambiciosa. Por que a Marvel, que ganhou notoriedade nos anos 60, fazendo entretenimento de alta classe, ousando com histórias sobre moralidade, sociedade, existencialistas até, opta constantemente pelo insosso ?

Poderia sugerir-se que o problema fosse a Disney, uma vez que até a FOX (finalmente) vem tratando as propriedades com a envergadura que merecem.

Mas entre Homens de Ferro e Vingadores afins, houve  *Guardiões da Galáxia 2; um filme também interconectado, porém com tema próprio: família e amadurecimento. Não à toa o vilão do filme se chama EGO, e, diferente da bobalheira habitual de Roliúde, o gostosão não pega a gostosinha no final, porque ambos não têm maturidade para bancar um relacionamento adulto.

Enfim…mas do que eu havia dito que ia falar mais adiante mesmo? Ah, sim… do legado dos filmes da Marvel…

 

QUEM IRÁ INSPIRAR AS LENDAS DO AMANHÃ ?

Tem um episódio de Legends of Tomorrow, no qual um jovem George Lucas desiste de fazer filmes, nunca criando Indiana Jones e Star Wars. Como consequência da disrupção espaço-temporal, dois integrantes da poderosa equipe, o cientista e historiador, despertam em um mundo no qual nunca se tornaram heróis, porque nunca tiveram os filmes do George para inspirá-los.  Tributos à parte, o episódio enfatiza o grande poder da ficção em inspirar novas ideias e indústrias.

Se Star Trek, nos anos 60, serviu para inspirar a criação do celular (segundo o próprio criador ), foram os blockbusters dos anos 70 e 80 que finalmente verteram a indústria do entretenimento para o epicentro da cultura ocidental, dando-lhe o imenso poder que essa exerce sobre a sociedade, as pessoas e suas paixões. Hoje em dia, me parece, que essas produções são mais eficazes que a escola ou a política , no quesito de despertar a criatividade, inspiração, e debate sobre temas relevantes.

Abre parênteses

O Pensador Nerd_Mondo Vazio_Por que alguém vai no cinema ver o Thor_Rick and Morty

Aprendi muito sobre o niilismo, recentemente, com Rick and Morty. E tenho fé que algum fã, no futuro, inventará a TV Interdimensional. PLEASE!!!!

Fecha parênteses

Não raro, qualquer conversa sobre os filmes Marvel vem acompanhada do papo da brilhante estratégia; de apresentar os personagens em separado, construindo um universo, antes de juntá-los em Avengers. Não raro, a reprovação ao fatídico “Martha” de BvS vem acompanhada de críticas; pela DC não ter adotado estratégia semelhante para criar seu universo. Até críticos de cinema “ sério “ alardearam a intertextualidade nos filmes da Marvel como grata novidade (e por um tempo até que foram ), apesar de reconhecerem que o poder dramático da história está fora do filme.

Em suma, são várias as coisas que levam a crer que o verdadeiro apelo do MCU é bem mais econômico do que ficcional.

Se o as gerações de Star Trek e Star Wars foram impactadas pelo caráter científico e aventureiro, a da Marvel parece que só deixará um legado para os profissionais de marketing e gerente de negócios.

Pense nisso da próxima vez que assistir Rick and Morty no celular.

Logo menos tem mais

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