Todos os Heróis do Mundo…de Hanna-Barbera ou; Do Heroísmo das Gerações

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Toda geração precisa de heróis que reflitam a luta pelos anseios, e contra as angústias, de sua própria época. Quem cresceu entre o fim dos 60 e metade dos 80, provavelmente foi apresentado ao conceito de heroísmo pelos grandes Hanna-Barbera.

William Hanna e Joseph Barbera haviam dirigido Tom e Jerry por 20 anos, para a MGM, quando o mercado de animação para cinema implodiu, o que os levou  a arranjar um trampo na TV ( a causa da tal implosão, aliás ).  Isso foi em 1956.

Oito anos depois, com Jambo e Ruivão, Dom Pixote, Zé Colméia, Pepe Legal, Os Flintstones e vários outros no currículo, os estúdios Hanna Barbera já eram os reis da indústria que ajudaram a inventar;  a de desenhos animados para a TV.

Mas ainda faltava algo.  Nas palavras do próprio Joe Barbera:

 ” Quando crianças, Bill e eu éramos aficionados por heróis como Frank Merriwell e Tom Swift. Agora era hora de criar os nossos próprios. ” 

E então Joe e Bill partiram para as experimentações…

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… que coincidiram com o momento em que o próprio planeta começou uma cabulosa aventura na qual a fantasia virava realidade. Desde os anos 50, e das primeiras sondas lunares, cientistas davam os primeiros passos em direção à realização de um antigo sonho humano: explorar o espaço. Na metade dos anos 60, apesar dos fails e erros de cálculo, foguetes não tripulados já haviam conseguido executar a até então impossível tarefa de chegar perto da Lua. E mandar fotos ainda por cima.  O imaginário coletivo começava a sofrer uma inception: não apenas da possibilidade de descoberta de um mundo além do nosso, mas pela chance, agora real, de descobrir  formas de vida em algum lugar lá fora. A ficção científica se tornava mais científica,  e menos ficção.

E  conforme o interesse em exploração espacial aumentava,  os novos heróis que apareciam se espelhavam  nos audaciosos astronautas e cientistas que visavam conquistar o cosmo. Os artistas dos quadrinhos, por sua vez, se valiam dos avanços científicos para criar suas fantasias. O resultado foram novas versões  de Buck Rogers, Flash Gordon e outros heróis futuristas dos anos 30, que começaram a sair dos quadrinhos e ganhar a televisão. Segue uma galeria com as aberturas de todas as séries de heróis dos estúdios Hanna Barbera

Essas são as séries produzidas entre 1964 e 1968, período reconhecido como o  ” ciclo do super heroísmo ” do estúdio, no qual o produtor Fred Silverman, junto às emissoras, inundou os sábados matutinos ( por décadas, o horário reservado às novas séries de animação ) com programação voltada quase que exclusivamente às aventuras de heróis.  Mais tarde, o estúdio ainda revisitaria o tema com Falcão Azul e Bionicão, Hong Kong Phooey e Capitão Caverna, mas com outra abordagem, algo mais voltado à paródia.

Na real, a partir de então, quase todas as produções do estúdio voltaram a ter um tom mais leve ( em contraposição ao bicho que estava pegando na vida real, com os  movimentos civis / Vietnã, talvez? ), mas mantiveram a atmosfera de aventura e mistério que os telespectadores apreciavam.

Assim, a combinação entre comédia e ação criaria um novo tipo de personagem de desenho, cujo maior representante se daria na forma de cachorro enorme, mas medroso pracarai, cujo parceiro vivia na larica. Mas isso é outra história.

Obrigado Joe e Bill, por nos ensinarem o que é heroísmo.

Logo menos tem mais

 

 

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