Você Lembra do EEK ?

Jesus Cristo e minha mãe sempre disseram: “seja bom e o mundo será bom de volta. Os desenhos sempre ensinaram o mesmo; o bom é recompensado enquanto o mal se ferra. Alguns personagens estavam além da noção do bem e do mal, como o Pica Pau, que sempre tocou o puteiro sem qualquer ressaca moral. Mas ainda assim, sempre foi controverso. Minha mãe, por exemplo, nunca gostou que eu assistisse o Pica Pau. Ela era católica ferrenha.

Mas eis que chegam os confusos anos 90, e com eles, Eek the Cat; o primeiro personagem a sofrer como um cão (embora gato ) sem ter feito por merecer. Eek era boa praça, um puta bróder, gente fina, sempre disposto a ajudar ( seu lema ajudar não dói ) e julgar o próximo pela beleza interior ao invés da cosmética ( sua namorada pesava uns trocentos quilos ). E ainda assim, o gato sofria e sofria.

Mesmo quando Sharky, o cachorro psicopata de sua mina Anabella não tentava matá-lo ( o que acontecia com frequência ), Eek sofria achatamentos, afogamentos e explosões. E tolerava tudo com cara alegre, perdoando a tudo e todos. Eu sei lá se esse desenho queria passar alguma mensagem, mas, qualquer que fosse, era diferente do que minha mãe havia dito. Ser bom não valia a pena.

imagem do desenho eek o gato

Os bons atos de Eek eram recompensados com a desgraça total

Uma coisa incrível nesse desenho eram as paródias. Quase todos os episódios tinham títulos que parodiavam filmes (Apocalypse Now, virava Eekpocalypse now ) ou tiravam onda com a cultura pop. Por exemplo; em um episódio onde o grande cantor Melvis decide largar a fama e sumir. Desesperados para continuar lucrando seus habituais milhões, os donos da gravadora decidem colocar um gato no lugar de Melvis e trocem para que ninguém perceba.

O gato, claro é o pobre Eek, que sofre na pele todas as mazelas da fama, não ganha um puto e ainda tem que ficar longe de sua obesa mórbida namorada Anabela. O título do episódio é “Great Balls of Fur ” ( Grande Bolas de Pelo ) zoando com o o título “Great balls of Fire” sucesso de um dos pais do rock, Jerry Lee Lewis.

O desenho era cheio de referências; acima, as paródias de E.T. e de um episódio de Além da imaginação

Eek dividia espaço com outra série: Os Terríveis Thunderlizards , onde os dois primeiros homens do planeta tinham que lutar pela sobrevivência em um mundo hostil, ainda dominado pelos super evoluídos dinossauros. A necessidade fazia com que os caras tivessem que inventar altas paradas: desde a roda, ainda triangular, até a comédia de televisão.

Os dois não sabiam que estavam sendo perseguidos por uma força de elite jurrássica ( os Thunderlizards em questão ), que queriam exterminá-los, pois o serviço de inteligência do governo classificara a nova espécia humana como perigosíssima, capaz de destruir todo o planeta, se permitida evoluir. Detalhe; os Thunderlizards não sabiam que estavam perseguindo. Era completamente débil. Era genial:

Scooter e Bill dos Terrible Thunderlizards

Se todas as virtudes de Eek não rendiam os devidos frutos dentro série, fora dela, talvez também não. Apesar de ter sido bem escrito, animado e dirigido, o desenho não parece ter feito tanto sucesso quanto merecia. Digo “parece” porque acho difícil precisar o que era necessário para ser considerado sucesso nos anos 90. Eek não virou lancheira, camiseta, videogame ou filme. Também não virou um nome que todo mundo conhece. Fez algum sucesso enquanto foi exibido no Xôu da Xuxa, mas nada comparado à Familia Dinossauros ou mesmo Perdido nas Estrelas, o infame desenho de Mackaulay Culkin, com quem Eek “competia” na época.

Nunca mais vi nada dos criadores do desenho: Savage Steve Hooland e Bill Kropp. Parece que continuam fazendo coisas para os canais da Disney e da Fox, mas talvez tenham focado nas produções horríveis que tais canais costumam mostrar. Talvez ser bom até compense, mas com certeza não é fácil. O Eek que o diga.

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