A Disney e o Grande Assalto do Jovem Nerd

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A Disney passou ontém e hoje transmitindo gente desempacotando brinquedos do Star Wars via seu canal do You Tube. Tudo isso antecipando a Force Friday,  onde serão apresentados os primeiros badulaques licenciados de Star Wars: O despertar da força. Gosto de Star Wars, mas a Disney me da claustro.

Enquanto bisoiava o desempacote numa janela, noutra, um nerd postou isso no FB:

O trailer de um suposto filme baseado em um RPG de Cyberpunk, criado pelo pessoal do Jovem Nerd.  Deu alívio.

O tamanho do mercado americano permite produções de um nível incomparável. Mas o efeito colateral é que não há espaço para novas apostas, e o que sobra é o repeteco.  Os mesmos conceitos rebootados N vezes. Se alguém tivesse entrado em coma há 20 anos e acordasse em 2015, se sentiria em casa: Jurassic Park, Exterminador do Futuro, Poltergeist, Mad Max, Missão Impossível.  Sem contar o próprio Star Wars, sem contar as adaptações da Marvel.  De novo, só a Pixar, com Divertida Mente ( excelente ) e, pasmem, a própria Disney, com Tomorrowland ( que não vi, mas me disseram meio meh… ).

Por isso o grande alívio quando vejo coisa nova. Sobretudo no Brasil, com potencial de se tornar o maior produtor de propriedades intelectuais do mundo, depois dos EUA. Somos povo jovem, e temos a mistura necessária de desejo e ignorância ( não saber o trabalho que dá, às vezes, ajuda a realizá-lo ).  Temos paixão por entretenimento televisivo e afins e, o mais importante comercialmente; temos massa crítica. Ou seja, gente suficiente para consumir essas produções, para criar um mercado.  Coisa que Austrália, Canadá, Europa e os outros países da América Latina não têm.

Em suma, para mim, o melhor do trailer do pessoal do Nerd Studios está fora dele ( assim como o melhor do Jovem Nerd está em seu modelo de negócios ). São exemplos para serem apreciados, estudados e copiados porque é o modelo que nos levará a desenvolver nossa cultura, criando base para contarmos nossas histórias e nos enriquecendo de todas as formas possíveis.

Tem mais gente nessa pegada. Dou como exemplo a área de animação;  a TV Pinguim com o Peixonauta. A 2dLAb com Meu Amigaozão, a Mixer com Escola pra Cachorro,  o Almir Correia com seus Carrapatos e Catapultas, Irmão do Joel,  Historietas Assombradas… são todos trabalhos muito bons. Mas tudo em esquema de edital, BNDES, e grandes emissoras. Nada contra, mas como no sistema de grandes estúdios,  tal modelo de negócios não permite a total liberdade de ideias.  Com grandes investimentos vêm grandes restrições.

Por isso cito aqui o Jovem Nerd em particular, porque para produzir algo totalmente autoral, dando à ideia o tempo necessário para maturar  e atingir potencial pleno, o modelo econômico que  sustenta a criação é quase tão importante quanto a própria. E o desses caras é top, nível Maurício de Souza.

Claro que se tudo der certo, no futuro, estarei sentindo claustro ante a estratégia de marketing do gigantesco grupo Jovem Nerd, e de preferência vários outros, quando estes soterrarem meus netos com suas quinquilharias licenciadas.  Mas até lá, teremos visto zilhões de histórias originais, baseadas em nossa cultura.  Terá sido uma boa vida.

Boa mesmo.

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