Aquele Desenho dos X-Men que (Quase) Ninguém Viu
Há algumas semanas postei um vídeo dos X-Men no Facebook da Mondo Vazio e os acessos explodiram. Entre interjeições de alegria e espanto, o que mais destacou foram comentários tipo: ” mas de onde veio isso ???? ”
Então resolvi compartilhar aqui. Conforme o fui fazendo, vieram-me as memórias. Resolvi compartilhá-las também
Pryde of the X-Men: a abertura
Descobri sobre esse desenho lendo a sessão de cartas dalguma revista da Abril, em 1989. Dizia que um desenho dos X-Men havida sido produzido e lançado direto em vídeo, mas que, claro, como um monte de outras coisas nerds ducarai daquele tempo, não havia previsão de lançamento no Brasil. Então fiz a única coisa que podia no momento: xinguei, gritei e esperneei. Fiquei puto com o Brasil, porque as coisas não chegavam. Acontecia com frequência.
Passada a cólera pré adolescente, recobrei uso do cérebro e me dirigi à Alex’s Comics, na Avenida Ibirapuera; um dos pouco lugares que vendiam quadrinhos importados em SP. Talvez eles soubessem de alguma coisa e pudessem me ajudar. Sabiam. Puderam.
Pryde of the X-Men: Parte I
O dono conhecia um cara que tinha um amigo que tinha pedido pro primo trazer. Perguntei quanto ele queria. Ele me pediu o equivalente da mesada do mês, mais a fita. Eu só tinha a fita. Voltei para o Cambuci e percorri a família, amigos, vizinhos. Notem como eu perdera por completo o senso do ridículo. Tudo por conta de um desenho baseado no quadrinho pelo qual estava perdidamente apaixonado na época. As coisas que fazemos por amor enquanto jovens…
Pryde of the X-Men: Parte II
Voltei à loja ( tudo isso no mesmo dia; o trajeto de ônibus durava uma hora e meia ida e volta, fora a espera do Concórdia Via Santo Amaro ) . Entreguei-lhe o dinheiro, dei-lhe a fita. E saímos de lá com o combinado que ele me ligaria quando tivesse a fita em mãos.
Pryde of the X-Men: Parte III
Pelas próxima três ou quatro semanas ( não lembro, devo ter bloqueado o período exato por conta do trauma da espera ) ligava quase todo dia para saber se já tinha chegado. Quando chegou de verdade e fui buscar, o cara me deu um sermão, me chamou de desesperado e afins. Eu não ligava. Tinha em mãos minha PRYDE OF THE X-MEN. Era um dos únicos do Brasil. Ia assistir até a fita furar. E foi o que fiz. Assistia todo dia, as vezes, duas vezes ( oAnimaníaco, entendem ? ). A fita aguentou. Ainda a tenho, na verdade. É uma TDK preta. Vou pegar na minha ex-casa e posto a foto.
Excessos à parte, esse desenho era de uma preciosidade ímpar. A animação era MUITO superior a qualquer coisa na TV da época. Era para ser um piloto de uma série que nunca saiu. Então, os caras lançaram direto em vídeo. Alguns anos depois, veio a série dos X-Men da Fox, que fez aquele sucesso todo. Eu confesso que gostava mais ou menos, pois a cada episódio, eu pensava ” animação péssima comparada com a outra”.
Uma coisa curiosa é o sotaque do Wolverine: não é canadense, mas autraliano. Pensando bem, teria muito mais a ver se ele fosse australiano mesmo. Taí o Hugh Jackman que não me deixa mentir.







