Por que uma História de Amor e Fúria Merece Ser Visto

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Tive a chance de ver Uma História de Amor e Fúria, em sessão com participação do diretor, Luiz Bolognesi. As impressões me foram muitas e diversas. Escrevo aqui algumas delas.

Amor e Fúria merece ser visto. Se não por todos os outros motivos  ( positivos, em maioria ), então pelo  fato que Luiz Bolognesi tem muito o que dizer. Muito mesmo.

Além de dirigir, Bolognesi também escreveu e produziu o filme.  Logo, à parte do apaixonado trabalho de sua dedicada equipe, a história é sua. Uma história que levou dez anos para ser concebida. Só a produção do filme em si levou seis. O resultado do esforço é notável por todo o filme.

Quando adolescente, Bolognesi era apaixonado pelo delírio das HQs do tipo Heavy Metal e Animal. Dessas, passou a ler as correspondências do século XVI entre os jesuítas e o Vaticano. A paixão pelo delírio e pela história resultou em Lutas do Povo Brasileiro, do Tacape ao AR-15, ou simplesmente “Lutas” , o primeiro título do filme, que viria a ser  trocado depois que um estudo mostrou que o público feminino jovem ( sobretudo ) não entendia ” luta” como sinônimo de engajamento, e sim de porradaria.

“Trocar o título do filme não teve nada a ver com vendas ou marketing “, diz o diretor. “Acontece que havia muita gente achando que o filme era sobre Ultimate Fight. Então para não ter que ficar explicando isso o tempo todo, decidimos colocar um título mais condizente”.

Outra coisa que não teve nada a ver com markenting foi a escalação do elenco estelar ( Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro ) para as vozes, segundo o diretor. “Precisávamos de atores exemplares, capazes de dar vida aos personagens, para então, baseado nas vozes, os animadores fazerem seu trabalho. E a história exigia um tipo de atuação mais contida, diferente do esquema Disney / Pixar exagerado que vemos hoje. Por isso tive que optar por atores ao invés de dubladores “.

Uma História de Amor e Fúria

Saí da Sessão com duas certezas: 1) Nossa história ( a do Brasil ) é mais interessante  do que geralmente nos damos conta. E eu, como contador de histórias, fiquei com muita vontade de explorar o tema com mais afinco. E 2) ver uma animação adulta feita para o cinema, sem os clichés que abundam a popeira habitual, me deixou com a sensação de ser possível criar entretenimento de qualidade, que também cumpra com suas obrigações mercadológicas. Afinal, as lutas acabaram, e quem venceu foi pragmatismo do mercado.  Por isso fica tão fácil entender  o povo mais jovem, que não sabe o que “luta” quer dizer. Por isso eles precisam ver esse filme.  Por isso que Bolognesi precisou fazê-lo.

Segundo o filme de Bolognesi, as lutas continuam.  Para o bem da animação e produção de qualidade, fica minha torcida para que ele continue lutando.

Logo menos tem mais

Ps. Em breve postarei mais, sobre outros aspectos do filme

 

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