5 Razões para Não Ver o Cavaleiro das Trevas em Desenho

1288
5

Escrita por Frank Miller (que resolveu exercitar a preguiça pouco após e até hoje), Cavaleiro das Trevas foi a obra que marcou a ruptura de Batman com seu passado SOC POW ZAP ! E também a mais passional de meu tempo de vida, à qual todo mundo letrado em quadrinhos leu. Até semiletrados perceberam o potêncial e maturidade artística da nova mídia. Vinte e seis anos depois estaríamos assistindo ao final de uma das maiores trilogias do cinema, decorrida da obra em questão: O icônico Batman de Cristopher Nolan.
Há alguns meses, os blogs pipocaram a notícia de que a Warner filmaria os quadrinhos de Cavaleiro em desenho. Opiniões habituais entre contra e a favor apareceram. A meu ver, não havia o menor risco de que o filme ficasse bom. Mas as paixões raramente respondem à lógica. O mercado sabendo disso, empacotou e distribuiu. Um produto meia boca com razões várias para não ser prestigiado. Eis aqui cinco delas:

1. A Narrativa

A grande sacada narrativa de Cavaleiro das Trevas em quadrinhos foi Miller nos permitir ler pensamentos alheios, de Bruce, sobretudo; suas opiniões, anseios, estratégias. Um recurso que nos ajuda a aceitar as ações dos personagens como inquestionáveis. Funcionou tão bem que virou moda escrever assim. Até o balão de pensamentos dos personagens mudou, depois e Cavaleiro das Trevas. O balão típico do pensamento deu lugar ao retângulo, até então, comumente reservada ao narrador.

O desenho não tem nada disso. Não por ser ruim, mas por ser desenho, cuja especialidade é mostrar, não contar. Só isso já seria razão suficiente para fazer a obra infilmável. Mas tem mais.

2. Os gráficos

Sempre achei os desenhos de Miller mixurucas, mas nessa história, seus rabiscos sem dúvida convém ao texto, pois também são sujos e perturbados. Já os gráficos do desenho, embora não ruins, não acompanham o roteiro, em densidade.

O colorido também não ajuda. O esmero na transposição de algumas cenas, clássicas, não ajudam a cor a cumprir o seu papel de ajudar a contar a história. Às vezes muito claras, parecendo Cartoon Network, às vezes muito escuras, parecendo uma mancha sem contraste. Comparando as cores das duas obras, fica claro o trabalho genial de Lynn Varley nos quadrinhos.

O contraste entre as cores das duas versões, ou a falta dele, no caso da animada.

3. A música

Aqui fedeu. Tentaram criar o efeito semelhante aos  filmes do Nolan: uma trilha onipresente, que nos mantém em constante tensão. Mas executar tarefa tal não é bolinho, requer tempo e habilidade, o que faltou, ao que parece, ao incumbido da missão. O resutaldo final soa como se alguém tivesse dito ” isso aí tá meia boca”, depois de ouvir a trilha pronta, e então na mixagem, colocasse ela baixinho, para evitar vergonha alheia. Uma trilha, enfim, que não acompanha, nem pontua. Nada a ver.

4. A animação

A qualidade da animação nunca foi o ponto alto dessas adaptações da Warner.  Ainda assim já vi melhor exemplo de talento em animação em Crise em Duas Terras e  Lanterna Verde: Cavaleiro Esmeralda. As equipes costumam ser as mesmas. Os animadores de Cavaleiro deviam estar com pressa, ou sono, vai saber.

A Warner Home vídeo já fez melhor na animação

5. A adaptação do roteiro

Adaptar uma história genial de uma mídia para outra sempre é tarefa ingrata. Nos quadrinhos, temos como ler, reler, atribuir enfim, a contação ao nosso próprio ritmo. O que é crucial em Cavaleiro, devido ao grande número de personagens e diálogos relevantes, aos quais a animação tenta desesperadamente aproveitar, falhando, claro, miseravelmente. Independente da boa adaptação dos diálogos, tudo vai ladeira abaixo, pois a função da animação é mostrar e não dizer.

Acho que teria funcionado melhor se tivessem partido para um esquema de animação limitada, tipo The Maxx. Uma animação baseada nos quadrinhos de Sam Kieth. Essa série figura entre as melhores adaptações de quadrinhos que já vi.


Se a adaptação fosse do tipo, ao menos agradaria os fãs de artes visuais

Do jeito que o produto ficou, acho difícil agradar aos fãs de animação, ou dos quadrinhos. Talvez motive os recém chegados ao universo nerd ou DC a comprar a Graphic Novel. Se este for o seu caso e ainda não tiver visto o filme, recomendo que vá à fonte logo de cara.

Logo menos tem mais

Comentários