5 Motivos para Assistir ( ou Não ) Hotel Transilvânia

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O Laboratório de Dexter, Samurai Jack, Star Wars: A Guerra dos Clones e Sym-bionic Titan; todos produzidos pela Cartoon Network, todos geniais, frutos do talento do diretor Genndy Tartakovsky. Logo, quando ouviu-se que  tal faria um filme em Roliúde, fãs regozijaram, expectativas decolaram e as perguntas começaram a pipocar;  Será que o Genndy vai sobreviver ao salto entre TV e cinema ? Seu filme vai garantir a bilheteria necessária para consagrá-lo um novo bam bam bam do entretenimento mundial ?

Assisti ao filme na estréia, e me parece que as respostas são sim e sim. Hotel Transilvânia mostrou que Tartakovsky pode abraçar o cinema tanto quanto abraçou a TV,  com sucesso e maestria habituais. O que não quer dizer que o filme não tenha lá suas sequelas. Segue uma lista do que considerei os erros e acertos:

1. A HISTÓRIA

É boa; Um pai com problemas de deixar a filha ir ao mundo.  Tudo contado nos primeiros minutos de maneira primorosa, pois fala a todos, fala tudo e muito bonito.

Já o roteiro mesmo, tem seus altos e baixos, ou melhor, a falta deles. Por vezes, nos parece uma música de apenas uma nota, onde a mesma única coisa acontece o tempo todo, em loop perpétuo.  A necessidade de querer agradar a toda hora e a qualquer custo impoe ao filme um ritmo frenético  que pode cansar à maioria dos que têm além dos trinta, que ainda estão ( ou já estiveram ) acostumados com um mundo menos urgente. Já para a molecada, tudo cai como uma luva.

Por fim, a cadência insana do filme acabou forçando o roteiro a se mover mais depressa, e não o contrário. Acho que o roteiro, se lido apenas, pode esconder nuances que o ritmo frenético do filme não permite perceber. Ao menos, o ponto baixo do roteiro ( a parte choramingo ) também passou voando. Aleluia.

O roteiro parece ser a extensão de uma única piada. Ao menos ela é engraçada.

2. A Animação

Maravilhosa, genial, sumpimpa, como não podia deixar de ser. Mas a urgência absurda do ritmo da história (enquanto escrevo isso me dou conta; o filme é muito rápido mesmo ) fez com que ficasse um pouco cansativa. Os personagens se movem de maneira brusca, o que é legal, mas são todos, e quase sempre, o que é chato. Parecia que os monstros disputavam para ver quem fazia a melhor imitação do Jhonny Bravo. Sei que todos gostávamos dos movimentos de Jhonny, mas fazer um filme com todo mundo assim pode ficar meio over. Ficou.

Ainda assim, insisto. É um dos pontos altos do filme. Quem manja do babado vai passar mal.

3. A Direção

Sempre ousei dizer; ” Tartakovsky é o melhor diretor de animação de sua geração “. Disse isso novamente anteontém e o Céu D’Élia perguntou: mas melhor que o Brad Bird ? O que, claro, me fez repensar, e repensei, e conclui; ” sim . Melhor “.

Bird fez um trabalho genial em O Gigante de Ferro, uma obra prima em Os Incríveis e o impossível, ao fazer o problemático roteiro de Ratatouille funcionar. Mas em todos os três, Bird era Bird. Respeitando a história, desenvolvendo muito bem os personagens, em suma, o que qualquer um que se proponha um bom diretor tem que saber fazer. É que Bird o faz com primor. E tudo em seu ritmo e linguagem.

Tartakovsky é um bom diretor que faz com primor em qualquer ritmo ou linguagem; em Dexter, ele usou a linguagem dos animes, coisa ainda pouco ou quase nada feita no desenhos americanos até então. Duas outras séries que dividiam espaço com o menino gênio; Amigos da Justiça e Disque M para Macaco tinham a estética dos quadrinhos.

Clone Wars era praticamente um filme de Roliúde. Muitos procuraram essa animação como consolo, depois de se sentirem traídos por George Lucas e sua infâme Ameaça Fantasma, e acabaram descobrindo nela muito mais do que consolo. Clone Wars é a melhor coisa que surgiu do universo Star Wars desde o Império Contra Ataca ( tirando alguns dos games e quadrinhos mil ).

Samurai Jack foi ainda mais cinematográfico, mas de um cinema outro que Roliúde, ora europeu, ora japonês. Falar dessa série é impossível, ela deve ser assistida. E não asssistí-la é pecado. Depois, veio Sym-bionic Titan, com linguagem ora de seriado de ficção científica, ora de seriado adolescente.

Por fim, Hotel Transilvânia, onde Tartakovsky descambou para o estilo toma-lá-dá-cá a mil por hora.  Pode não agradar a todos, mas que constata a versatilidade do Genndy, ah isso constata. Ademais, para conversar direto com essa galera pós MTV, acostumada a videoclipes e afins com imagens de um terço de segundo, que outra alternativa havia ?

4. Os créditos

O filme, no geral, é para ser apreciado por crianças. Mas há vários aspectos artísticos que só podem ser apreciados com olhar de gente grande. Embora seja possível reparar em vários deles durante o filme, por causa do efeito trem bala do dito cujo, é impossível captar a total maestria do desenho dos personagens, fundos, estudo e cor e afins. Durante os créditos, há um slideshow com diversas aquarelas usadas na produção. Vale a pena ficar até o final, pois onde mais ver ilustrações desse tamanho ?

 

Eu dificilmente vou comprar o DVD, mas o livro já tem lugar reservado na estante. 

5. Adam Sandler

Não sei vocês, mas para mim, Sandler é sempre um bom motivo para NÃO assistir a um filme. Não sei de seu desempenho nesse, porque assisti dublado ( resolvi prestigiar o bom trabalho local), mas posso dizer que é seu melhor personagem desde muito tempo, pois embora não tenha visto seus flimes, os conheço todos, de trailer. C’est suffi!!

Mas o Drácula é um ótimo personagem. Ele deve ter tido alguma coisa a ver com isso.

Ou não.

Por hoje é só Pessoal.

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