As 5 Famílias Mais Disfuncionais dos Desenhos

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Se você pensou Família Addams, errou. Os Addams podiam ser horrendos por fora, mas como em  outras famílias do mundo pop dos anos 50,  os pais eram figuras ponderadas a quem era possível recorrer na hora do perrengue, e os filhos, um amor. Claro que os Addams eram excêntricos além do necessário, o que dava a sensação de serem disfuncionais, mas se comparados aos desenhos atuais, eles eram na verdade a família exemplar.

Daí os anos 60 chegaram com o pé na porta, pegaram o conceito tradicional de família o jogaram contra cultura abaixo.  Fred Flintstone foi o primeiro pai de família dos desenhos cujo bom exemplo não garantia o sucesso. Um incompentente pré histórico que evolui  (ou involuiu ) para Homer Simpson e Peter Griffin.

A evolução, embora discutível, levou tempo. Segue uma lista  com os desenhos que ao meu ver, melhor  absorveram essa noção de família nos últimos anos.  Famílias que operam no limite da funcionalidade, e que ainda assim,  insistem em manter o elo de amor incorruptível:

1) Papai Sabe Nada

Fred Flintstone era um homem das cavernas que tinha a sorte de viver em um mundo cavernoso. Já Harry Boyle, embora homem moderno, tinha que se esforçar para viver em um mundo mais moderno ainda, o que o fazia se sentir à beira da extinção. Se desdobrava para tentar entender por que o filho hippie vagabundo usava aquele cabelo cumprido, a razão da  filha querer usar mini saia, o motivo da esposa insistir em  uma casa maior.  Harry não era reacionário por opção, mas incapacidade. O filho acusava Harry de ser de direita e por algum tempo, também acreditávamos. Até que aparecia Ralph, seu vizinho, que guarnecia sua propriedade com medo de uma provável invasão de negros, judeus, asiáticos e /ou soviéticos.

A única satisfação que o pobre Harry parecia ter era seu filho Jamie, que tinha talento incrível para os negócios. Sério. O moleque explicava sobre lucro, juros e o escambau. Provavelmente foi trabalhar em Wall Street wuando cresceu.

O desenho é um clássico dos estúdios Hanna Barbera, e um belo retrato das dificuldades de um pai de família em abraçar as novidades do mundo.  Segue a abertura em português:

 

2) Simpsons

” Uau. Já são uma da manhã. Melhor ir para casa para passar algum tempo de qualidade com as crianças “.  Uma das recorrentes  pérolas de Homer Simpson. Freud explica, sim. Mas no caso de Homer, ele não teria por onde começar.

Marge era do tipo submissa que quando tentava fazer algo, geralmente fazia papelão. Como da vez em que sentou na frente da tv para catalogar as cenas de violência  do desenho do Comichão e Coçadinha e fez  marido e filhos marcharem, com placa e tudo, na frente do estúdio para protestar. Imagina… a mãe fazer os filhos marcharem contra o desenho favorito. O horror…

Bart é um delinquente boca suja. Lisa saiu curiosa e consciente. Mas isso foi milagre. Lisa é o único membro de bom senso da familia. É Uma criança que sabe mais que os próprios pais e mais do que quase todo mundo em Springfield. Por isso não raro, sai reivindicando  direitos e defendendo pontos de vista.

Se Pedrita saísse por Bedrock  falando o que acha, levaria um tacape no meio da ideia para aprender a se por em seu lugar, pois em Bedrock, quem sabia mais eram os mais velhos. Quanta coisa mudou desde o tempo de Fred Flintstone.

 

3 ) Cowboy Bebop

Dúvido que o termo ” família” tenha sido usado para descrever a união dos personagens em algum momento da série,  mas não consigo imaginar definição mais cabível.

Dois caçadores de recompensa pobretões, uma fugitiva que não sabe quem é, um menino ( ou será menina ? ) abandonado(a) pelo pai e um cachorro que também chegou por acidente. Todos vivendo na mesma nave. As realizações pessoais dos membros eram mais importantes do que os laços “familiares”. As expectativas que os personagens depositavam uns nos outros  só não eram maiores que as suas desilusões.  Logo, todo mundo nessa série vivia sumindo e depois voltando, com a cara quebrada ( e ossos também, sobretudo o fodão briguento Spike ). Só continuavam juntos porque é melhor sofrer mal acompanhado do que só. E como sofriam. No começo da série, tudo vai mal. No fim, tudo acaba pior. Cortesia dos japoneses. Quem mais ?

 

4 ) Family Guy

Comparações entre Simpsons e Family Guy são geralmente inevitáveis. Quahog é uma cópia turbinada das difunções de Springfield. Entre as várias semelhanças, a mais notável fica sendo a figura do pai idiota. Difícil dizer quem é o mais incompetente, se Peter Griffin ou Homer Simpson.

Porém, Homer ainda ganha como pai, pois ao menos tem bom coração. Peter é tão amoral que sempre parece estar causando de propósito, e não por idiotice, como é o caso de Simpson.

A pobre muher de Peter, Lois, vive para limpar a bagunça do marido e dos filhos adolescentes abobalhados. O bebê Stewie é o membro mais intelegente da família e que dominar o mundo, nem que para isso precise matar a mãe. A única criatura genuinamente equilibrada em toda série é Brian, o cachorro.

5 ) Padrinhos mágicos

“Timmy é um garoto normal que ninguém entende ” diz a letra da música de abertura. E de fato, Timmy era um incomprendido. A começar pelos pais que só conheciam os próprios umbigos ( ainda assim, mais ou menos ), e não faziam a menor ideia da vida do moleque . Quando saíam, chamavam, Vicky, a babysitter para cuidar do pobre Timmy.

Vicky era uma babysitter dos infernos cuja frase preferida é : odeio gente legal ! ” Azar do moleque, que, apesar de meio tonto, era um cara legal.

E quando tudo ia mal, Timmy chamava os padrinhos Cosmo e Wanda, que não eram lá o primor da competência, mas comparados com os outros habitantes de Dimsdale, eram gênios.

Essa série fez um sucesso estrondoso quando passou na Nickelodeon e depois, na tv aberta. Além dos fatores artísticos ( animação ágil, roteiros geniais e trilha sonora irretocável ), me pergunto se tal sucesso se deve ao fato do desenho retratar pais ausentes, um grande mal moderno. Teriam as crianças se identificado ?

Ou teria sido o oposto ?  O exceso de zêlo endêmico da nossa era geram crianças que querem ver exatamente o oposto ? Tipo, os pais sumirem ?

Geroge Jetson sonhava com passado, onde a vida era difícil e as relações, simples. Fred Flintstone almejava o futuro de vida simples, sem imaginar o grau de complexidade de uma família onde a palavra de ordem é  realizar  as próprias vontades ao máximo, deixando muitas vezes, todo o resto em segundo.

Qual o menos pior ?

 

 

 

 

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