Super Heróis Gays em Revista

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” Extra. Extra. Super herói gay em revista”.  Só isso já me fez não ler e não gostar. Não pelo gay, mas pelo alarde.

Depois da morte do Flash, do Super Homem, do aleijamento do Batman e de deixar o pobre aquaman maneta, tudo para vender mais, agora a DC faz o pobre Lanterna sair do armário. Pobre não por sair do armário, mas por esganar boas histórias em detrimento do marketing. A história não vai vender por que é boa. Vai vender porque é gay .

Mês passado, a Marvel causou ao casar um de seus personagens secundários com um homem ( Estrela Polar, dos X-men, acima ). A rival DC se viu forçada a reagir, e então contra atacou marqueteiramente anunciando que um de seus personagens PRINCIPAIS assumiria a homossexualidade. ” Puxa, como a Dc é corajosa” ” Quem será ? ” ” Para mim é a mulher maravilha “.  E, de novo, a exemplo das mortes, aleijamentos, etc. os personagens tomaram os jornais e revistas. Não por causa de vendas estratosféricas devido a boas histórias, mas por fofoca, que como sabemos, é uma tolice deliciosa.  A DC e a Marvel sabem mais.


O alarde feito pelo primeiro personagem gay  da DC em New Guardians, de 1987 não garantiu vida longa ao título. Boas histórias Mantém vendas.  Não fofocas. 

E então, finalmente chegou o anúncio: o gay é o Lanterna Verde. Assim sendo, em marquetagem, a DC passou direto. Já em coragem, nada feito. Lanterna Verde não é um herói. É uma tropa.  Cada quadrante do universo tem o seu. A Terra já teve cinco. O escolhido para gay é Alan Scott, o primeiro Lanterna, criado lá nos anos 50.

Por conta de uma cronologia lelé, a DC torna possível que heróis do passado e futuro convivam mais ou menos no mesmo universo. Complicado para você ? Pois eu sigo a DC há vinte anos e o conceito muitas vezes não me é totalmente claro, então, deixa para lá. O relevante da questão é que embora o nome Lanterna Verde seja reconhecido como produto de primeira linha da DC, o tal personagem, Alan Scott, é reserva.  Audácia seria fazer o Hal Jordan, aquele do filme, sair do armário.

Para mim, coragem tem a ver com seguir a vocação por um caminho não trilhado, correndo o risco de quebrar a cara. O que tem de corajoso em escalar um personagem secundário e colocá-lo em situação habitual ?   Afinal, ser gay já é mainstream há muito tempo , ou ao menos, não mais motivo de total escárnio e vergonha.

A vocação das editoras em quadrinhos, em teoria, é contar histórias. Quer discutir a questão homossexual ?  Escreva uma boa história a respeito, então.  Nada tem um poder transformador maior que uma boa história. Trocar o Lanterna de verde para arco íris  sem um bom motivo não vai melhorar a moral e boa aceitação do gênero.  É uma pena que as maiores editoras de quadrinhos hoje percam mais tempo com relações públicas do que com histórias.

Agora, o que eu queria mesmo é que o tal gay tivesse sido a Mulher Maravilha…

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