As Várias Faces ( Animadas ) de Batman

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Os Beatles foram os responsáveis pela série do Batman da década de 60. Aquela mesma: SOC TUM POW. Acontece que por causa do sucesso estrondoso das 4 belezuras de Liverpool, uma enxurrada de bandas invadiu a América ( A Invasão Britânica ) e com elas, a estética de uma cultura pop emergente, capitaneada por Andy Warhol e Roy Lichtenstein, no visual.  Logo, quando o Batman dos quadrinhos migrou para a TV,  virou síntese da linguagem pop da época. E assim se deu o início da carreira televisiva do homem morcego; com o povo em geral, amando e os fãs, claro, detestando.

Ao final da série de Tv,  uma nova produção foi encomendada, dessa vez em animação. The Batman / Superman Hour  estreou em 68, e se pelo nome do desenho você acha que se tratava de uma aventura conjunta entre os dois, pode tirar o batmóvel da chuva. Se tratava, na real,  de um bloco para cada. Afinal, estamos falando da era pré-crossover.

Essa foi a primeia série da Filmation, o estúdio que viria a produzir Tarzan, Super 7, He Man, She Ra e Bravestarr entre outros. Os seus fundadores Lou Scheimer, Norm Prescott e Hal Sutherland contribuiram muito para o mercado de animação pra Tv. Mancada eu nunca ter escrito nada sobre eles nestas páginas. Prometo reparar tal lapso em breve.

Em 77 a Filmation estreou  nova série; As Novas Aventuras de Batman e Robin. Adam West e Burt Ward, os atores da série em carne e osso, emprestavam suas vozes para o desenho, o que era bom. Mas a série contava com o anão interdimensional paga pau de Bruce Wayne: Bat Mirim. E isso era muito, muito ruim.

Vai, Robin. Joga esse mala no bat calabouço duma vez.

Bruce Wayne conseguiu a façanha de figurar duas séries de animação simultaneamente, pois enquanto estrelava As Novas Aventuras, também dava o ar da graça em série do estúdio rival:  Superamigos, do Hanna Barbera. Tal façanha só foi repetida, até onde sei por, Tony Stark, que tirou onda em simultaneo numa série japonas, noutra francesa. Hm. Talvez seja um privilégio reservado a bilionários.

Chegamos aos 90. Época de sinergia, um eufemismo da indústria cultural que no fundo quer dizer; “daqui por diante, estaremos em todas as mídias o tempo todo e para todo sempre”.  O assalto começou com Batman, a Série Animada, em 1992 sob tutela do mestre Bruce Timm ( taí outro que merece um post só dele ). Há quem não goste da animação, mas  há de se concordar que o desenho era infinitamente superior ao costumaz daqueles anos de TV Colosso.

Batman, a Série Animada abriu a temporada de avalanches de adaptações dos quadrinhos da DC para animação. Super Homem, Jovens Titãs, Liga da Justiça, etc. A partir daí ficou difícil contar as aparições do homem morcego na tv, pois até visita ao Super Choque o cara fez.  E de novo, Batman viria a estrelar duas séries simultâneas: Batman do Futuro e Liga da Justiça.  A animação alternava entre o maomeno e o muito bom. Já os roteiros, às vezes, atingiam altíssimo nível de excelência. Sobretudo a série da Liga e graças ao falecido Dwayne McDuffie, que os novos Deuses o tenham. Fica aqui a recomendação a qualquer um que seja fã dos heróis da DC ou simplesmente goste de um bom arco de história.

As séries da Liga da Justiça marcaram o fim da era Bruce Timm. Pelo menos com o Batman. A próxima série, a estrear em 2004, The Batman, teria trilha sonora do The Edge do U2 e um conceito artístico bem diferente dos anteriores.  Visualmente, é a minha preferida.

Por fim, temos The Brave and the Bold, que terminou ano passado.  Se baseou no conceito de uma revista de mesmo nome dos anos 50, onde Batman sempre batia pernas com outros heróis do universo DC.  O desenho tem uma temática mais leve, voltada ao infantil. Ainda,  a maioria dos roteiros é boa o suficiente para prender os marmanjos também. E caso você seja fã do universo DC, prepare-se para um verdadeiro deleite. De Jonah Hex até os Desafiadores do Desconhecido. Todo mundo dá o ar da graça.

Recentemente Batman tem dado o ar da graça em DC Nation, novo bloco de animações da DC para a Cartoon Network. Com a estréia do filme, é possível que uma nova série seja produzida para manter a peteca no ar.

Por hoje é só. Logo menos tem mais.

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