Toon Boom vs Flash

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Há dez anos, li um artigo na Veja sobre os jovens fazendo fortunas na internet. Eu era jovem e tinha internet. Já me sentia praticamente rico. A Veja faz tudo parecer tão fácil…

Depois de pesquisar, descobri que havia uma área na qual eu podia me encaixar, que pagava bem e tinha um nome descolado o suficiente para fazer inveja aos amigos e impressionar a mulherada; Web Designer. Mais; os mais velhos não tinham noção do que se tratava e estavam putos por verem filhos fazendo mais dinheiro do que os pais ( no auge da bolha da internet, havia web designers ganhando 7 mil paus por mês ). Seria a glória. Só faltava aprender o programa. Liguei para o bróder Juma,  mais que iniciado em assuntos virtuais. Ele recomendou o Flash. No dia seguinte eu já tinha o programa instalado na máquina. Pulemos os detalhes…

Quando abri o software e percebi que se tratava de um sequenciador de imagens, uma lágrima correu pelo rosto. Eu havia esperado isso minha vida inteira. Todas as minhas tentativas de fazer  animação usando câmeras de VHS pareciam ter acontecido no século passado. Bem, e tinham mesmo.

Assim, o plano de ter  mulheres, iates, mulheres, mansões, mulheres, automóveis e mulheres foi para o espaço. Mergulhei em animações; criei meus personagens e acabei fazendo duas web series usando Flash. Era eu e Flash, Flash e eu, dia e noite. O casamento ia bem até que chegou o Toon Boom. Houve alvoroço. O Chico Bela liderou a horda de animadores que espinafravam o pobre Flash, dizendo que o Toon Boom fazia mais e melhor. Eu me deixei levar pela onda, mas não me adaptei à plataforma Toon Boom, mais voltada à animação tradicional, imitando, inclusive, a mesa de animador, que eu nunca havia usado. Então voltei ao Flash, que me recebeu como casa. E lá continuo até hoje.

E lá se vai uma década

Recentemente, fiz um projeto,o  Rugby Animal. Criei os personagens e animei um trailer de 50 segundos de animais jogando rugby. Quem vetorizou foi a Tartaruga Feliz . Como eu estava há algum tempo longe da animação em si ( estive envolvido com roteiro e pré produção, nos últimos anos ), pedi uma consultoria ao Tiago Rovida, que tem grande experiência em Toon Boom e Flash. Queria saber se valia a pena eu chamar alguém que manjasse de Toon Boom ou se eu devia fazer tudo em Flash mesmo.

A resposta do Tiago serviu para mim e deve servir para muitos por aí com a mesma dúvida. A coloco aqui, em transcrição livre:

” Quando for algo curto, vai de Flash mesmo, agora, se for uma uma série com trocentos personagens, vários capítulos e equipe gigantesca, a menos que você seja burro ou suicida, use o Toon Boom”.

E foi feita a palavra do Tiago. Eu, por ora continuarei no Flash. Mudarei quando me envolver na produção de algo mais complexo.  Agora, a você, jovem ( ou mesmo velho), que pretende começar a animar, recomendo que não pestaneje e aprenda direto o Toon Boom.

E por falar nisso, você, jovem ( e agora só os jovens mesmo ) que já desenham estão a fim de aprender a parada, o NUPA ( núcleo paulistano da animação ), voltou com as oficinas de Toon Boom e estão oferecendo cursos grátis aos interessados entre 16 e 29 anos. Para mais informações cliquem aqui

 

 

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