Homo Facebookius ou; Da Burrice Artificial

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Coisa infernal a tecnologia atual. Pouco se pode fazer senão sucumbir. Quem o diz que não ? Você já deu refresh ao décimo segundo de tela branca após ter acessado uma página ? Já procrastinou a louça por causa do Facebook ? Já se conectou depois da meia noite “ só por um pouquinho “ em detrimento ao sono ? Voilà. Você já está viciado(a) em tecnologia, e está tendo sua personalidade redefinida pouco a pouco por tal. Os efeitos colaterias? Isolamento da realidade, bloqueio de comunicação, e perpetuação do conceito de satisfação imediata. Tipo de coisa que dá na Veja. Acontece que por vezes o panfleto diz o sério.

Veja bem… tenho quase trinta e seis, mas crioulo, não o pareço. Tenho a verdura dos vinte e poucos. Logo, os mais jovens não entendem o que quero dizer com “ já rebobinei fita cassete a caneta”. Mas o fiz e muito. O que me coloca em posição, de poder contemplar a tal nova geração digital, do ponto de vista analógico. O que vejo? Cérebros se acostumando com a ideia de que a recompensa não vem do foco, mas do pulo para a próxima coisa. Por que ler um livro por um mês se o youtube vomita o mesmo conteúdo em seis minutos ?

Será que algum arqueólogo do futuro conseguirá deduzir a relação entre estes dois objetos?

A tecnologia atual é calcada no princípio da  inteligência artificial, cuja burrice ainda não nos parece grande o suficiente, então continuamos entregando-lhe nossas vidas em bandeja de prata. Sua ausência só é sentida no Himalia e alhures. Ao redor, está no armazém da Amazon, onde robôs organizam os pacotes, baseados em algoritmos, semelhantes aos que o Google usa para interpretar buscas. Companhias de cartão de crédito   usam algoritimo semelhante para constatar fraudes. Netflix, a atual alternativa à locadora de vídeo, usa o mesmo para recomendar filmes aos seus assinantes. E sistemas fnanceiros o usam para lidar com os bilhões do mercado. Se você, como eu, esperava que no século 21, robôs modelo Rosie dos Jetsons nos abanaria em dias quentes,  paciência, o  final é infeliz.

 

No Bot For Us !!!!

São Tomás de Aquino  tinha ir até a biblioteca  para pesquisar os textos que resultariam na Suma Teológica.  Não só ia como tinha que guardar todo o aprendido na cabeça.  Agora, com o santo Google, não precisamos nos lembrar mais de nada.  E o plug pertpétuo permite checar sites pelo celular  enquanto se faz ginástica, ou o email enquanto se faz compras no Pão de Açúcar. Em ,breve, graças à inclusão, o mesmo se dará no Compre Bem.

Estarmos  plugados nos impede de exercitar a memória, de aprender melhor e de ter boas ideias.  É, sem dúvida o revés do milagre, mas é natural.  Afinal,  quem deu fim a cérebros como os de São Tomás foi a prensa tipográfica, muito  antes do xerox e da caneta bic.  A questão  é outra :  entramos de cabeça sem medirmos o potencial destrutivo de cada moda.

 

O Ipod, por exemplo,  é maneiríssimo, mas quando usado em último grau, tem o poder de isolar as pessoas, as isentando de lidar com a comunidade e o mundo real, criando um  ser totalmente oposto ao capial do cafundó,  que nunca viu pen drive, mas entende o aomor ao vizinho.  Adicione meio século de Google e Facebook , e os dois não serão mais apenas culturas diferentes  separados por modas, pois tais sempre as houvemos, mas serão espécies diferentes.  Pois agora, os novos cacarecos estão remodelando o nosso cérebro, o transformando em mingau.   Logo, no futuro, os que tiverem perdido o bonde da revoulção digital, às tantas, terão que se proteger da horda de zumbis,  que sairão de todos os cantos, famintos por cérebros não formatados. A desculpa será a mesma que justifica a inclusão social de hoje; direto à informação. A verdade, também não mudará:  criar mais gado para consumo.

O pensamento me remete a Spiral Zone, um desenho obscuro da década de oitenta, onde, num mundo pós apocalíptico, os heróicos Zone Riders tentavam libertar os inocentes, feitos zumbis por Overlord,  através de seus Geradores de Fronteiras, tecnologia responsável por criar dois tipos diferentes de seres humanos, dividindo o mundo em dois.

Sempre houve diferentes credos, cores , tribos e o escambau, mas a última vez que duas espécies distintas andaram pelo planeta foi há trinta mil  anos , quando o Neandertal perdeu para o Sapiens.  Só agora, através do artificial que nos afeta o cerebelo, poderemos  causar nova cisão. Cientes e  desconectados.  A ironia  fica  por conta de que,  quanto mais conectado, mais distante do mundo.

 

O nome “Overlord”  também não se aplicaria ao Google e ao Steve ?

Parece que não seremos  subjugados pela rede de computadores Skynet do Exterminador do futuro ou pelos robôs de Matrix. Ao que tudo indica,  nosso risco é sucumbirmos por delegarmos  responsabilidades  demais  aos semi compententes robôs do Google. É um ato que acabará por nos matar  a  atenção,  a síntese e a memória. Um mundo distópico povoado por zumbis. Brrrr…

 

 

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