Samurai Jack ou; os conquistadores conquistados

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Outro dia estava meio triste. Talvez mais do que meio até. Daí resolvi assistir a alguns episódios de Samurai Jack, o que não foi pena. Pelo contrário. Com esse desenho, não há tristeza que perdure.

O roteiro de Samurai Jack não tem explicações científicas rebuscadas. Também não há tramas complicadas a cada capítulo. É simplesmente simples. Um Samurai do passado
é enviado para o futuro por um demônio que por lá exerce seu domínio. Agora, ele tem que voltar no tempo e
destruir o demônio para que o futuro não seja o próprio inferno ( um lugar tomado pelo progresso tecnológico
desenfreado, consumismo, ausência de valores humanistas e devoção à mídia.  Hmm.  )

Samurai Jack é fruto da Cartoon Network de tempos menos exuberantes. Não havia You Tube, telefones não tocavam filminho e nem havia trocentos canais de animação 24 horas dia. Logo, essa febre de geração de conteúdo para suprir TV, internet, celulares e o escambau ( multi-plataforma, para os íntimos ) ainda estava incubada. Agora, com toda receita gerada pela venda de conteúdo, mais os milhões adicionais das vendas de camisetas e canecos e bugigangas mil ( merchandising, para os íntimos ), todo mundo quer entrar na dança. Inclusive o BNDES, que criou  o Anima TV, um programa de fomento ao mercado de animação brasileira. Programa aparentemente inspirado no  What a Cartoon Show ( Desenhos  Incríveis), programa semanal da Cartoon Network, de 1996, que mostrava novos desenhos de diretores independentes.

What a Cartoon; Os desenhos mais populares se tornaram séries regulares na programação da emissora. Na primeira leva estiveram Jhonny Bravo, As meninas Super Poderosas e o Laboratório de Dexter. Este último foi a primeira série  do mestre Gendy Tartakovsky, criador de Samurai Jack.

O que Gendy Tartakovsky conseguiu não é fácil; criar uma série bem sucedida tanto artística quanto comercialmente. Os cenários são brilhantes. A ação, bombástica.  As músicas e efeitos sonoros são capazes de tirar o fôlego de qualquer deus da sonoplastia, imagine então os pagãos. E evidencia o que todos estão cansados de saber; é impossível bater os americanos nos quesitos  “empacotamento” e “venda”.

Não é à toa que o Santo Grall do mercado de venda e  licenciamento de séries de animação  pertença a cinco grandes distribuidoras americanas.  Os ingleses, franceses, espanhóis, e brasileiros que quiserem participar da festa terão que se contentar com muito menos. Os japoneses com um pouco mais. Afinal, eles são ninjas.

Tão ninjas que rever Samurai Jack me lembrou De Roma e Grécia antigas. Uma conquistou a outra, mas foi pegando o gosto de sua cultura e acabou sendo conquistada.
https://www.youtube.com/watch?v=6jgDEmW9nlU&fs=1&hl=pt_BR

Samurai Jack  foi feita nos Estados Unidos, mas é criação de um filho de imigrantes russos, amante de cultura japonesa que tem orgulho em tornar isso público, explicitando na série todas as referências e reverências dos mangás e animes de sua juventude.

Os canais de distribuição podem ser de quem forem, mas a América será cade vez mais invadida.  Em breve, pelos franceses, aposto.

Logo menos tem mais

L

A nova série de Tartakovsky está quase pronta. E  linda como de costume: Sym-bionic Titan

Uma galeria de fundos do Samurai Jack no Mad About Cartoons

Outra galeria. De posters dessa vez. Todos do What a Cartoon Show

ô beleza…



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